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Tuesday, June 09, 2015
Thursday, September 26, 2013
diagnóstico
é vertigem que me dá esmaga
uma das vértebras da
minha cervical estanca
proíbe segura é
barreira para
meu sangue correr livre
lívida
o armário dança
dançam livros
coloridos dança
qualquer coisa fora do
lugar é na minha cabeça, é tudo
na sua cabeça mas o
sangue
o sangue não flui não
jorra não ferve
o sangue não é meu
sangue sangue em meu
próprio corpo
é fluido e não flui
no entanto
embaça
mas é só vertigem,
vertigem pouca
Labels:
(im)ponderáveis,
aflições,
exercício,
explosão,
versos
poema feito de chá
minha espera permite
o aprendizado da água
–
ebulição é
espetáculo
de tanto ensaio de
ritmo
minha espera exige
o aprendizado do corpo:
estar montanha,
saber de si
minha espera ensina
permissiva
meu coração em
fervura.
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(im)ponderáveis,
aflições,
confissão,
delicadeza,
exercício,
explosão,
síntese,
testemunho,
verdade,
versos
Monday, August 19, 2013
trabalho
mastigo esse batom
amanteigado
sei que sua pele quase
chora
coisas, coisas, coisas
passam em sonho
(a bolsa de tecido
mais bonito
presente ofertado por
tabela sob
força das
circunstâncias)
não se maltrate eu te
digo em mantra
acendo – acenda –
uma vela branca
cuide do corpo e da
casa
perfumar-se é oração
que sorte ter alguém
no quarto ao lado.
amar de dia e, de
noite, ser cavalo alado.
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(im)ponderáveis,
exercício,
na veia,
natureza,
versos
Thursday, February 21, 2013
ficou jardim
passei o dia vendo o
céu da janela do meu quarto.
vibrante paleta de
cores
calmas nuvens desatinos
soturno luar em senda
entendi
quando do quase sem-luz
mas era
desviei, olhei cimento
e gramado e
entendi
na permanência sutil
do fora
entendi o que você
quis me dizer quando disse que ficou jardim.
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(im)ponderáveis,
delicadeza,
exercício,
natureza,
versos
Saturday, October 27, 2012
haikai VI
calçada, cimento fresco.
com árvore, o vento
fossiliza a primavera
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cenas de megalópole,
delicadeza,
etnografismos,
exercício,
haikai,
versos
haikai V
dobra vinca prende fura
como já nascida
bailarina da costura
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cenas de megalópole,
etnografismos,
exercício,
haikai,
versos
haikai IV
manhã de feriado
meu despertador
maritacas no telhado
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(im)ponderáveis,
cenas de megalópole,
etnografismos,
exercício,
haikai,
versos
Tuesday, April 24, 2012
sobre linhas I
peço-te que imagine
uma linha.
imagine o diâmetro
exato de seu fio
e se existe ou não um
buraco possível de agulha para se fazer travessia.
imagine sua cor,
nuançada entre um tom de céu ou areia
ou talvez nenhum desses
mas aproximadas cores de lembrança
ou precisas e
irresolutas, inelutáveis cores de sonho
quando num continuum
diálogo de vigília e só se sabe sonho porque
não sentes dor
o absurdo
denuncia
o despertar deixa
a dúvida e portanto: sonho
peço-te que então
imagine de que é feita essa linha.
se do mais comum
material encontrado na natureza
encapsulado e doravante
produzido
em fábricas por
homens comuns
em vilas por
eco-propostas
e consumido como
requinte;
se de um raro material;
quão denso;
se escapa, desfia, desfaz, solta pedaços bolinhas farpas pó no [manuseio;
se escapa, desfia, desfaz, solta pedaços bolinhas farpas pó no [manuseio;
se num emendo
artesanal;
mais ou menos longo;
se sob intervenção
infantil multicolorida e dura (pintada com guache) [e esgarçada (do
contato com as unhas);
quão maleável.
não me diga nada dessa
linha e não a tente reproduzir.
essa linha é o que te
é e não me é possível compreendê-la ou imaginá-[la.
podemos, contudo, tomar
aulas de arte
e aprender teorias
contemporâneas e estudar produções de [assemblage
estudar construção de
esgoto e sustentação de casa (é claro que a [linha pode vingar)
enforcar um inimigo
dançar melodias e
bater palmas ritmadas
saltar do ônibus no
ponto errado
suar a camisa ao passar
por alfândegas
cozinhar massas
acompanhadas de peixe fresco
colecionar rótulos de
importados e pedras não-lapidadas
arriscar um lançamento
de pedra e receber bombas que nos fazem [correr
tirar roupas do varal
tamborilar na espera
e fazer, no descanso,
ponto-cruz.
Labels:
etnografismos,
exercício,
lirismo intelectual,
notas,
síntese,
teoria,
versos
Monday, April 16, 2012
'sampa'
só me aconselham a sair dessa cidade
eu finco o pé e finjo não te ter saudade
digo que o certo é vaguear enquanto posso
e a multidão me acalenta
e digo e volto pro calor do teu regaço
na pouca fé restante nessa parceria
no sono meu desejo errante se vicia
e a prontidão me atormenta
e te assemelhas em virtude injuriada
à retidão da fumaça que me alimenta
e é por isso que vagueio e só tropeço
na mansidão que alardeia enquanto arde
eu finco o pé e finjo não te ter saudade
digo que o certo é vaguear enquanto posso
e a multidão me acalenta
e digo e volto pro calor do teu regaço
na pouca fé restante nessa parceria
no sono meu desejo errante se vicia
e a prontidão me atormenta
e te assemelhas em virtude injuriada
à retidão da fumaça que me alimenta
e é por isso que vagueio e só tropeço
na mansidão que alardeia enquanto arde
ps: essa é uma letra de música que fiz pra uma amiga musicar!
Sunday, November 27, 2011
breve ensaio sobre as estações (iii)
outono
não se sabe que é outono olhando pro céu; no outono a gente olha pra dentro como quem olha pro chão pra não tropeçar. não tem encontro, não tem susto, não tem paixão. outono é vento e vento e vento e tempo do prazer de pisar em folhas secas. é vernal o prazer fugidio e sutil porque suspenso e portanto enganador: transmutar volatilidade em permanência não é justo. e por isso a ventania.
Saturday, November 05, 2011
benvinda
o que denuncia um novo amor não é um novo orgasmo (isso é transa casual), um novo velho mesmo jeito de atender ao telefone (pode ser timidez), nem as tão batidas borboletas no estômago (é claro que las hay, pero desde a pré-escola). o que denuncia um novo amor é aprender um novo jeito, o jeito dela, de arrumar a cama. e tomar gosto. e zelar pela cama arrumada, vez ou outra, antes de sair.
Tuesday, July 19, 2011
corpo de mulher
fitei a parede e não vi mais nada. seu cheiro é áspero, ele dissera, suas mãos em mim e eu sem saber. havia trincos na parede, resquício de umidade (são sempre as outras mesmas histórias acumuladas), e os traços imprevistos rodavam ao meu redor. nós dois no breu e tudo girava. me desorientei pelo seu suor e recebi toda a agressão que contém um corpo de homem que é pele e sangue e tanto mais que não me permitem tentar nomear.
.em busca de outra semântica.
Wednesday, June 08, 2011
retratos urbanos - a mulher do despachante
cruzou o meu caminho – e não o contrário – uma mulher de cabelos ressecados, talvez com corte, talvez ressecados apesar da devoção e do cuidado, talvez pelo tempo seco que vem com a chegada do outono, ou pelo uso equivocado de produtos de má qualidade que são o que ela pode comprar. ela, que trabalha num despachante, e antes das 16:00 tinha ainda um copo cheio de café ao seu lado. um copo americano, de bar, o mesmo que, aposto, ela enche de cerveja aos finais de semana. não reparei se fumava, talvez sim, para compor a personagem perfeita. talvez não. talvez tenha filhos, e um deles estude no exterior. talvez o marido – ou a amante – lhe presenteie com jóias vez ou outra. talvez ela já tenha visto um jogo do corinthians no estádio, talvez lido um romance do paulo coelho ou do machado de assis. talvez ela nutra uma paixão por comida asiática, talvez cozinhe muito durante seu final-de-semana para congelar parte da comida para comer durante a semana. talvez já tenha experimentado cocaína, tomado leite com manga, feito uma cirurgia de alto risco, visto o mar. cruzou o meu caminho, ela, que passa dos trinta e talvez beire os quarenta anos, uma pele amorenada, cruzou, ela, porque me despertou vontade de saber tanto a seu respeito. cruzou o meu caminho, e não contrário, porque enquanto passava eu defronte o despachante onde trabalha – desde quando? –, ela sequer desviou os olhos da tela do computador.
Sunday, May 22, 2011
uma bebida mais forte
porque essa insistência em vestígios de amor numa relação tão violenta. porque os pés gelados num dia frio, zanzando pela casa, num quase automatismo de auto-flagelo. porque os músculos doloridos de uma noite sem memórias. porque as brechas, as frestras, o intransponível, o indizível, o indecifrável e a espreita. porque o erro, e só ele, é que faz sentido, confidenciaram-me. agarrei-me a essa máxima e não solto até o soluço passar.
Thursday, May 19, 2011
da vista da minha janela
a vista da janela do meu quarto é o muro do quintal. entre o muro e a minha janela fica uma máquina de ginástica que meu pai comprou e enferrujou, de vez em quando uma bicicleta encostada, de vez em quando meu cachorro e quando eu chamo ele pela janela ele abana o rabo e faz aquele chorinho de cachorro porque ele quer chegar mais perto de mim mas não pode por causa da máquina de ginástica enferrujada, de vez em quando da bicicleta e das grades e da tela que tem na minha janela, então mesmo que meu cachorro conseguisse colocar suas duas patinhas na beirada da janela ele não ia conseguir me dar nem uma lambidinha porque tem uma tela pra proteger de pernilongos mas ela não adianta nada porque minha casa é infestada de pernilongos então na verdade essa tela não serve pra nada e ainda por cima não deixa meu cachorro me dar uma lambidinha de carinho.
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