Showing posts with label proesia. Show all posts
Showing posts with label proesia. Show all posts

Thursday, August 23, 2012

uma história possível do jardim em frente ao bradesco


eu fui atropelado. fiz aquele jardim ali, vê como está bonito, as mudinhas, o desenho da terra todo alinhado, vê. dá gosto olhar, né não? aqui debaixo é tudo buraco. é tudo buraco debaixo dessa cidade, sabe, eu não bebia, cavei esses buracos todinho. mas você é bonita, hein? me lembra minha filha quando moça, ela me deu três netos, tudo homem, varão. nenhum deles sabe fazer jardim. sabe, pra fazer jardim tem que ter muito silêncio dentro de você. não é saber que planta que pega bem, é saber que planta o jardim ali quer, fazer todos os convites, sabe, honraria? jardim precisa de honraria. fui muito mais feliz fazendo jardim do que cavando buracos. claro que falar que fiz essa buracaiada aí impressiona, né, eu e meus companheiros, mas a gente nem anda nesses trem, não. eu gosto é do jardim. ninguém olha pro jardim, só querem saber do trem mais rápido e mais moderno, dizque tem trem que nem motorista tem. é que não bate sol, já basta eu não ver o sol nunca nunca nunca porque agora bato ponto de segunda a sexta, já basta acordar no escuro, sair de casa no escuro e voltar já tá escuro de novo, quando é folga eu faço jardim. não me meto nos buraco pra ir lá pra zona norte, nos churrasco dos companheiro, ah não. gente também precisa de sol. a honraria do meu jardim é eles receberem meu sol todos os dias. e me convidarem quando é folga, é. pois fui atropelado, menina, então, é por isso que tô pedindo pra você usar essa tesoura e podar aquele galho ali pra mim, faz favor.

Sunday, March 27, 2011

breve ensaio sobre as estações (ii)

inverno


o inverno é o desafio à tranquilidade d'alma. é o tempo da lentidão e das intensas solidões todas em rotações por minuto sentidas. na europa, o inverno é o encontro consigo em xícaras de chá; nos trópicos, é chuva que encharca os destemidos e assusta os precavidos – a ambos angustia, e há todos os truques e práticas no anseio pela calmaria (eu, particularmente, sou adepta da queima de uma folha do ramo de palmeira bento, pedindo proteção à santa clara quando a tempestade desespera).

Thursday, March 24, 2011

breve ensaio sobre as estações (i)

verão

o verão nada mais é que a letargia. não; o verão é o êxtase, a catarse, a nudez em conforto porque quente. o verão não são gotas de suor; o verão é o sal que marca a roupa, é a boca seca e corpos que entre si deslizam no amalgamado de cheiro denso. o verão é a estação do sexo mais feroz e sensual, é a estação do vigor corporal que garante a tranqüilidade d'alma – porquanto não a contém.

Thursday, November 04, 2010

corazón

tirei o relógio de parede que ficava na sala de casa. dependurei, tirei as pilhas e o abandonei em cima da pilha de revistas (intocadas há semanas). podia ser o seu cheiro, ou outro, tanto faz, que o tic-tac do relógio me trouxesse. mas não traz mais nada. como pode um objeto ter ou não ter história, aflorar-nos tanto na memória? tirei também o pó de um ou dois dias acumulado nos santos que circundavam meu cantinho espiritual. suspirei, sim, não tem como abrir o coração sem suspirar. às vezes abre-se sem sequer a intenção de vasculhar, mas os suspiros afloram e se fosse diagnosticar eu diria: cardiopatia grave, porque o coração retumba e ecoa, e a respiração muda (arfante ou contida, passa-se a percebê-la, e respiração é dessas coisas que quando se percebe é porque chama a atenção, e se chama atenção é porque algo de extraordinário há, e se é extraordinário pode bem ser errado, e aí nos preocupamos, quando é com alguém querido, e suspiramos, quando é dentro da gente, mesmo, porque o suspiro é o diagnóstico que o próprio coração dá à cardiopatia). virei-me, abri as cortinas, não teve brisa a brindar-me: é verão neste hemisfério, e as noites cada vez mais densas.

Monday, October 18, 2010

memórias, as futuras I

a cidade do meu jovem coração foi erguida em torno de duas ruas principais (ruas, e não avenidas, que é tudo muito delicado). não foi nada planejada, mas tampouco beira o caos; é uma ocupação sentimental, sem desespero, com alguma calma e permissão para um ou outro pouso provisório até achar a esquina ideal para se aconchegar. foi então quase natural fazer morada ali, entre a rua dos suspiros e a alameda da memória. com vista pro mar, nenhum luxo. tem esgoto a céu aberto logo ali em frente, e uns ninhos de passarinho que não dão sossego. mas o mar tem sereias que cantam na lua cheia, os vizinhos cozinham em uníssono aos domingos, as árvores estão ora floridas ora com seus galhos todos à mostra, corajosas que são. eu não durmo sozinha e a família está por perto.

Tuesday, August 10, 2010

uma breve história de amores (ou: tempo da delicadeza)

houve um tempo em que eu partia. quase todos os dias, quase sempre à mesma hora, deixava aquele reino tão íntimo e tão compartilhado, para me reinserir no outro cotidiano, igualmente real, que continha tantos sonhos quanto o outro, e assustava um pouco menos.

depois ousei ficar. por uma ou outra hora a mais, desafiar a rotina traçada. varar alguns dias, perder alguma noção do tempo.

foram alguns, esses tempos de ousar ficar. e foram vários os ficares ousados. distintos entre si, sempre repletos de significados (até na ausência de sentido, quando era o desafio do susto do absurdo que eu buscava).

sucedeu-se que agora havia o tempo da dança. da harmonia entre o ficar e o partir. até que... da harmonia fez-se a síncope. e não é a síncope que faz o samba? a dança se encheu de retumbares.

e do meu coração em arritmia, como na falta de ar imediata, faço suspender, até segunda ordem, os toques que enchem d'água atrás dos olhos.
suspendo o sorriso que jogo pro céu quando você me diz amores com seus olhos depois que me beija. fica em suspensão minha entrega. suspensão de suspiro, na calma da memória e do coração.

Sunday, July 11, 2010

luz

quero saber se você vem comigo a não andar e não falar
pablo neruda

também eu silencio quando tu te calas.

antes fosse silêncio cúmplice, amantes em respiração uníssona maior;
não.
é silêncio de assombro pelo descompasso, lamento pelo passado [então
presente, angústia da impossível compreensão (cada passado é [presente - e só presente - para quem o viveu. mais nada).
esse silêncio não corrói nem escorre; paira ensimesmado em sua densidade tão.
é quase óleo. é quase
como o frio quando o corpo toca o lençol: sustenta-se.

esse silêncio não se quebra, meu amor. nesse silêncio adentramos, e dele nos empantanamos, ávidas em prosa e sol, cúmplices em permanência e gratidão.

Monday, June 14, 2010

desvencilhares

para ler ouvindo, talvez, 'i'll follow the sun', dos beatles.

primeiro foi o cd que - e eu juro não ter tratado mal - deu pra só tocar a faixa 10, cismando no não me leve a mal, embalado por aquela voz doce então metálica e irreconhecível. olhei contra a luz, alguns riscos, nada que outros também não tivessem - eu ouço meus cds até criar sulco. de imediato, baixei as músicas - sabia a ordem das faixas de cor - e gravei de novo. num novo que não caía bem. ficou esquecido, até meu irmão encontrar e perguntar se podia usar numa das suas instalações itinerantes. debaixo da poeira acumulada, vi nele as iniciais dos nossos nomes. já fazia alguns meses, nada caía bem. e não caía mal, também - sequer incomodava. dei um meneio de cabeça, cerrei os olhos. a bicicleta ficou imponente com aqueles brilhantes nas rodas refletindo a luz do sol.

depois foi a experiência do primeiro stencil, numa camiseta branca tão surrada que as duas usávamos pra dormir. ficava ora na casa dela, ora na minha, aquele algodão macio de tanto usar e ser lavado. branco já encardido, o preto do stencil desbotadíssimo, a mescla dos nossos cheiros (que eu pensava) encrustrada. na arrumação da terceira gaveta, sábado à noite, encontrei-a no fundo, amarrotada, cheiro de guardado. joguei na máquina sem me dar conta da calcinha roxa presa no fundo. um novo tom lilás: a camiseta se prendeu - a máquina eu adquirira num rolo havia uma semana, com todos os enroscos a que tinha direito -, meus calcanhares saíram do chão quando me debrucei puxando o trapo. a camiseta em algodão macio se desfez na minha mão esquerda. (o lilás na calcinha desbota cada vez mais, a tinta saindo à medida que o conforto do tecido aumenta e recebe meu corpo.)

foram se sucedendo, por esses longos seis ou sete ou oito (estamos em junho?) meses depois da nossa separação, esses pequenos deslizes, essas pequenas sabotagens. esses pequenos adeuzes das coisas nossas-dela, que, por sufoco, cansaço, carência ou displicência, não mais reconheciam sua morada ali, no meu apartamento.

na semana passada as taças, é claro, coroaram a despedida. vinho não é bebida que se toma só, sempre bradei, e nem tive pudores em usar as taças que ela havia me dado, desperdiçar um pouco no carpete e no edredon (era noite de lua cheia; a embriaguez comanda a precisão de outros gestos que não o de manter os copos em lugares seguros). foi pela manhã, uma manhã clara, brilho no rosto, louça acumulada. nem fui lavar as taças; só mudá-las de lugar para pegar o pó de café, e elas cederam. como numa dança de despedida desesperada, doce e consentida, estilhaçaram-se aos meus pés. no quarto ao lado, não se ouviu nenhum barulho; estanquei o corte que me fizeram durante a queda, embrulhei os cacos no jornal do dia, com uma mescla de alívio, satisfação e - confesso - o rosto quente e o coração acelerado. era isso, então. abri a porta do quarto, ouvi um suspiro, e me deitei ao lado de um corpo mais quente que o meu, cujo ritmo de respiração é que fazia todo o sentido do mundo.

Friday, April 16, 2010

apenas

era pra ser só mais um copo de cerveja, o colarinho impecável e a espuma se erigindo e equilibrando elegantemente por sobre toda a borda do copo americano. uma marcha transpassada, tocada pelo pianista do andar de cima; um telegrama do marido preso pelos militares; o alívio de passar na prova de epidemiologia mereciam muitos copos de cerveja. mas a ânsia brotou, talvez de um corpo moreno despertando-lhe asco enquanto a tentava seduzir naquele ambiente claustrofobicamente ensurdecedor, talvez aqueles músculos enrijecidos atentaram contra qualquer conforto interno, e também ela toda passou a se contorcer.
não havia nada de escatológico nos seus movimentos, só o impelir-se adiante. vomitou, correu, despelou-se à navalha, tosou o cabelo. precisava desvencilhar-se do mundo, esvaziar-se de si e da sua história.
amanheceu.
havia toda a área externa daquela pensão barata para limpar. ela não podia se dar ao luxo de se deprimir e perder as forças, não. jogou um balde d'água para esparramar da maneira mais uniforme possível, ainda que aleatória, a espuma concentrada no chão. esfregava sem se lembrar do colarinho impecável do copo de cerveja. é assim que as coisas se dissipam, ou nem se permite que se condensem.

inspirado numa cena de 'assédio', filme lindo, lindo, lindo, de bernardo bertolucci.

Friday, April 02, 2010

alguma ternura

não fosse, meu amigo, alguma ternura, embalada com cuidado e persistência num embrulho divino de quase natal, não fosse alguma ternura, querido, sei que teria rendido.

cedido, rendido à terra, no susto ao encontrar a palidez dos que amamos envolta em flores.
e são lágrimas, gritos, acordes ressonantes que me acordam nas madrugadas, são ainda tremores e emoções em qualquer toque à contrapêlo, no receio de qualquer coisa nova, bela, sincera, no receio de qualquer carinho que seja.
e são também entregas lascivas, a pele em brasa, rubi coração em relinchadas; são espaços-todos-ocupados nos corpos que se querem encontro d'ossos, em tempos sincopados por suspiros e rouquidão.

noite a noite, há ternura. há alguma ternura, vinda de não sei onde, num repouso de cansaço, num enlace de dedos, numa cúmplice aprovação.

e há tempo para esquecer, há tempo para render-se ao desenfreio da solidão.

e há o dia. há o despertar. há coragem de novo, e recompensas todas.
pelo céu, pelo seu, pelo meu e pelos nossos.

Friday, March 12, 2010

tão logo a noite acabe

ela assumiu pra si o que queria, enfim, de mim. olhos marejados, tentei em vão explicar que o mundo pesa demais, não exija certezas de mim, te garanto minha sinceridade por alguns segundos latejantes, antes de suas dissoluções no não-nosso tempo-espaço. observei seus passos sem saber se decididos ou entorpecidos – pode a embriaguez preencher de solidez todo um gestual –, na noite tão clara e sem um farol. não foi difícil me levantar e seguir rumo, não. o peso já era outro, pelas pálpebras e lábios, mas não brotava do meu mais profundo interior, apesar de ir além do peso do mundo todo. sentia uma tristeza ritual, em resignada conclusão sobre a solidão (o esbarrar numa querida amizade em estado esfuziante me esquentou, sim, um pouco, – de leve – o coração). é que se desvencilhar, às vezes, é fácil demais. mas nem por isso menos triste.

Saturday, February 27, 2010

seresta

um leve odor de gengibre e noz moscada, copos afastados, marcas liquorosas - os traços. sempre há cacos, espalhados, alguns ameaçam no chão. a música é toda novidade, e é novo também o beijo. é outro prazer, outra pele, outro orgasmo. amor novo, instiga e obriga a reconhecer outras cumplicidades e belezas. a entrega é entre a certeza e a descoberta. e o alívio pelo encantamento.

é que se eu cair em seus braços não há despertador que me faça levantar.

Thursday, February 18, 2010

'anda, rosa, vem me ver'

roupas espalhadas pelo chão não denunciam qualquer tranqüilidade d'alma. não, não. é a cinzura que se espalha pelo dia e minha ternura vadia que não encontra ocupação. tô por aqui. pode se achegar, que nem vai implodir a minha solidão. tanto cuidado é bobagem, me chama que eu vou num repique de águas claras, em corpo inteiro e mansidão.


imagem daqui

Monday, February 01, 2010

amador (ou "As horas nuas")

as últimas horas da tarde. o céu rodando em tonalidades por minuto. ainda é claro, e a lua, suavemente, intensifica sua presença entre azuis e alaranjados. num instante o laranja ainda solar cede ao brilho imponente, ainda que delicado, da lua quse-cheia.
respiro, olho, me calo, tento calar em pensamento. quero fotografar detalhes, fazer jus à riqueza. opto por fotografar na alma-coração, mantenho os olhos abertos e silencio também na visão. então sou toda a tarde que cai, sou eu toda a noitinha que vem.
o céu agora é nuvens cinzentas, o céu é todo ele de um azul cinzento, e também o mar escurece. mas nenhum dos cinzas é de tristeza, melancolia ou aflição. tampouco são acoplados de menos intensidade; não. são as horas vivamente sutis. a exatidão do olhar cambaleia, os corpos se movimentos com cuidado, leveza e desapercebida destreza.
são as horas das solidões profundas, dos suspiros sem desalento, e até dos encontros: é a hora mestra do amálgama entre lucidez e embriaguez, numa cúmplice e acolhedora meia-luz.

ps: o título entre aspas é referência ao livro homônimo de lygia fagundes telles, cuja leitura eu recomendíssimo - e que, embora não tenha sido referência pra esse meu escrito, foi por ele a mim lembrado, em sentimento.

Monday, November 23, 2009

amarelada, flana, ainda

a tríade silêncio-fala-pensamento prega peças, desafia, surpreende e me encanta.
numa dança das mais sutis, o tom do mar se apresenta como amigo do peito; a delicadeza das palavras desponta sem pedir licença pelas serenas frestras de expectativa; há permissão, desejo, calmaria e notadamente meu corpo. o sol enlameia como o vácuo entre o chinelo bem pisado e a terra molhada; a noite cai amena, desapercebida que estou com seus cabelos. alguma santa chuva recém-nos-fita e envolve. cedemos, e há sorriso.

Tuesday, November 17, 2009

vernal

brindo cada copo de cerveja, água ou café. brindo e olho nos olhos, mas nem desanimo se não há encontro.
levanto os ombros quando tímida, ensaio um olhar de esgueio, sorriso de canto da boca e a mão entre os cabelos e o pescoço, algo provocante enquanto noto e digo ou não digo? da beleza do céu de manhã cedo, bruma leve e carinho na pele. me enrolo em termos antigos, busco outros músculos e vernáculos.
já é noite quando cedo ao fantástico da pele e a outros dançares. são ritmos e tons que, sonoros, táteis, visíveis, me fazem sentir cheia de vida. de memória, de história, de porvires. reconheço as dores e o alívio que elas me deram a um dos meus medos maiores: esquecer. hoje, sei que nem tempo nem amor nem dor nem saudade nem falta nem além faz(-me) esquecer. as reminiscências floreiam todo o tempo, e o encanto não é menor. assusta menos, saber que existe tanto encrustrado n'alma e no coração e que isso não conforma nem molda: compõe da maneira mais original e bonita. entalha. paciência de ourives, afinco de agricultor e certeza de mãe-de-santo. por aí.

Sunday, September 20, 2009

diz que é sem compromisso

flores amarelas, alguma terra no chão, clima ameno, céu profundo de pré-primavera, até as pintas vermelhas do colo tão branco se eriçam quase no encontro do ombro com os pescoços.

crianças tranqüilas um gato que roça olhos ariscos e cúmplices

algum carinho, certo na discrição e nos limites. desmancha em flor, laço roxo do vestido.

Thursday, August 20, 2009

contingência (corpo mágico que expurga _____)

espinhas, aftas, secreções verde-amareladas, hálito purulento, cada unha roída, uma possibilidade.
bruxismo, compulsivo estalar dos dedos, torção de coluna para o conforto do sono que
não vem suores viradas reviradas que aflição terrível os embolamentos e a falta de liberdade que vai asfixiando a ponto de levantar
acender as luzes
arrumar a cama
deitar-se com cuidado meticuloso para o lençol não arranhar
e ignorar a espinha que estourou no travesseiro.

Wednesday, August 19, 2009

assombro

acordei pontualmente às sete horas, de acordo com o horário de brasília. as cobertas na altura dos joelhos e um sebo corporal além do comum denunciavam a agitação no sono de apenas quatro horas. por sorte, na noite anterior, lembrara de minha avó: peguei um copo d’água para deixar na mesa de cabeceira; minto, no banquinho de três pernas ao lado da cama que faz às vezes de mesa de cabeceira. tomei o copo em três vultosos goles, não sem antes esticar braços e pernas, e checar todos os dedos em suas devidas posições. nenhum formigamento, uma coceira aceitável na raiz dos cabelos da nuca, e uma tensão no pescoço, lado direito. vai dar pra levantar.
me lembrei do sonho. minha mãe, parada defronte uma casa – devia ser nossa, embora eu tenha certeza de que não era. eu chegava tarde da noite, parava o carro, ela ali, plantada, os olhos tão inexpressivos que se me comunicavam. disse que não conseguia entrar na casa sem mim. eu a abraço, com cuidado, comoção e compaixão. pego sua mão, encaro a casa, nem piscamos.

Wednesday, July 01, 2009

inspirada

a pétala da borda exterior a cor ainda viva o corpo exuberante sutil indício de meneio rumo ao desprendimento leve que a faria
, por fim,
flanar.