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Monday, April 16, 2012

'sampa'

só me aconselham a sair dessa cidade
eu finco o pé e finjo não te ter saudade
digo que o certo é vaguear enquanto posso
e a multidão me acalenta

e digo e volto pro calor do teu regaço
na pouca fé restante nessa parceria
no sono meu desejo errante se vicia
e a prontidão me atormenta

e te assemelhas em virtude injuriada
à retidão da fumaça que me alimenta
e é por isso que vagueio e só tropeço
na mansidão que alardeia enquanto arde

ps: essa é uma letra de música que fiz pra uma amiga musicar!

Saturday, April 02, 2011

(outra) escola de belas-artes

(livre versão do poema de jacques prévert, que reproduzo em seguida)

usando de cesta o chapéu,
o pai pega uma bolinha de papel
e (não é nem por magia)
a faz mergulhar na bacia
e as crianças desconfiam
surge destemida
multicolorida
a grande flor japonesa
o nenúfar que admiram
por sua instantânea beleza
e silenciam
nunca, nunca, na memória
essa flor há de murchar
essa lírica água-flor
feita para eles
num minuto de cor
diante deles.

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original:

"L'école des beaux-arts", Jacques Prévert

Dans une boîte de paille tressée

Le père choisit une petite boule de papier
Et il la jette
Dans la cuvette
Devant ses enfants intrigués
Surgit alors
Multicolore
La grande fleur japonaise
Le nénuphar instantané
Et les enfants se taisent
Émerveillés
Jamais plus tard dans leur souvenir
Cette fleur ne pourra se faner
Cette fleur subite
Faite pour eux
À la minute
Devant eux.