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Monday, February 11, 2013

[quando eu morrer]


quando eu morrer
jamais plantem flores na terra sobre mim

não me dêem lápide sepultura não encravem
minhas datas em pedra nenhuma
deixem-me
ao léu

meu epitáfio será dente-de-leão
como praga
espalhando-se na terra.

Saturday, August 25, 2012

do luto, ainda


basta a convalescência
que o mar não ensina
tampouco o tempo, a bebida,
maltratar-se (corpo e alma),
a meditação, o sexo: nada
convalesce um coração estilhaçado.

só a fome.
só a fome pode ensinar a convalescer do irreparável.

Friday, August 24, 2012

comoção durante uma assembleia


fiquei tomado. a senhora parece muito a falecida da senhora minha mãe, deus a tenha, esses olhos, lá na bahia, nossa senhora, fiquei arrepiado. o que é que eu dizia? que nossa mentora é nossa cabeça. nós vamos com nossos pés pra onde nossa cabeça destina. eu sei o que é o sofrimento de cada um de vocês. e eu vou estar junto com cada um de vocês, se vocês estiverem junto comigo, junto com o movimento, lutando também pelo seu companheiro. eu me sinto bem quando posso fazer alguém feliz. obrigada pelo presente, matei, matei sim um pouquinho da saudade da minha mãe, quantos anos, meu deus, obrigado.

Sunday, August 05, 2012

[quando eu morrer]


quando eu morrer
jamais plantem flores na terra sobre mim

não me dêem lápide sepultura não encravem
minhas datas em pedra nenhuma
deixem-me
ao léu

meu epitáfio será dente-de-leão
como praga
espalhando-se na terra.

Tuesday, July 17, 2012

morte encapsula tudo

cemitério faz que rima
mas não rima com velório.
rima com impropério, despautério, deletério

e contrariando normas
e tudo que me dizem de sério

tento fazer velório rimar
com o som do meu coração
esfacelado, em desespero

que espero transpareça quando rio.