Sunday, January 20, 2008

Veementindo

As horas não passam em dias chuvosos. Sequer passam os pensamentos. Ameaçam ir embora, rodopiam e não se desfazem. Voltam e permanecem, displicentes, sem nenhum pudor.
O sol já era fraco, ah, era tão bom de ouvir você cantar aqui, ela dissera.
A chuva cessando quanta vida urbana junta que canseira de barulho café telefone internet literatura noir.
Senti que alguns olhos me observavam, o sol sumia, nem uma cor das sete bonitas no céu.
Olhava quase com ternura.

4 comments:

ovilha said...

no dia 18 de janeiro de 2008, por volta das cinco da tarde, no litoral norte de são paulo, sentada na areia, ainda molhada e ofegante de muito nadar, pus os óculos e, olhando a saída (ou entrada) da baía da maranduba, em direção à ilhabela, vi, completinho, um arco-íris.

Tomaz Amorim said...

as luzes existem, prova disso é que enxergamos. para ver arco-íris só precisa de olhos com ternura, assim como ouvidos amorosos para ouvir estrellas.
a beleza é também triste (porque é vida), Farida mora no céu e não pode nunca ver arco-íris.

"Se despede do cabrito e torneia a árvore de fruta que tanto o intriga. Recolhe um djambalau, examina o negro fruto. O dia já se ergueu, as sombras vão minguando na quentura do chão. O sol, voluminoso, sucessivamente
sempre sendo um. Muidinga imagina como ser uma aldeia, essas de
antigamente, cheiinhas de tonalidades. As colorações que devia haver na vila de Kindzu antes da guerra desbotar as esperanças?! Quando é que cores voltariam a florir, a terra arcoiriscando?"

o arco-íris existe, o que mais se pode querer? ele existe e é só a gente que tem que olhar.

Maiakosvky:
"Iluminar para sempre.
Iluminar tudo.
Iluminar por toda a eternidade.
Iluminar e só.
Esse é o meu lema...
E o do Sol..."

o arco-íris nos manda colorir, como crianças - poetisa das crianças.

boa sorte, como sempre, é só o que podemos desejar. o olhar erguido para ver as luzes do mundo, nariz para cheirar a terra, amor para os arco-íris

[que na verdade amamos por serem raros...]


Rimbaud:
"Tive de viajar, distrair os encantamentos juntados no meu cérebro. No mar, que eu amava como se fosse me lavar de uma mancha, eu via levantar-se a cruz consoladora. Tinha sido danado pelo arco-íris. A felicidade era minha fatalidade, meu remorso, meu verme: a minha vida seria sempre imensa demais para ser consagrada à força e à beleza.
A Felicidade! O seu dente, doce à morte, me avisava no canto do galo — acl matutinum ao Christus venit — nas mais sombrias cidades:

Ó estações, ó fortalezas
Que alma é sem fraquezas?

Fiz o mágico estudo
Da felicidade para tudo.

Salve ela cada vez
Que canta o galo gaulês.

Ah! não terei mais vontade
Ela carregou minha mocidade.

O charme tomou corpo e alma
E ofereceu a calma.

Ó estações, ó fortalezas!

A hora de sua fuga sem sorte!
Será a hora da morte.

Ó estações, ó castelos!

Isto passou. Sei hoje saudar a beleza".

Bom dia.

Sydnei Melo said...

É o encontro de um broto de flor em meio às cinzas.

Cheio de cores.

Sydnei Melo said...

Não, não... eu não gosto de carnaval por aquilo que escrevi...

Tb não gosto pq o samba da velha guarda da mangueira é o samba da velha guarda da mangueira.

E pq o frevo de Antonio Nobrega é o frevo de Antônio Nóbrega.

E pq o carnaval... é isso aí...

De dito com dito, se faz ditado. E ditado, a gente quebra. E reinventa.















Quero tanto te dar um abraço!

A semana inteira vc pode me encontrar na Unicamp. Semana que vem tá tranquilo pra mim.

bjos =*