Thursday, November 29, 2007

Caminhos tortos (mortos?)

"6.
Articular historicamente o passado não significa conhecê-lo "como ele de fato foi". Significa apropriar-se de uma remi-niscência, tal como ela relampeja no momento de um perigo. Cabe ao materialismo histórico fixar uma imagem do passado, como ela se apresenta, no momento do perigo, ao sujeito his-tórico, sem que ele tenha consciência disso. O perigo ameaça tanto a existência da tradição como os que a recebem. Para ambos, o perigo é o mesmo: entregar-se às classes dominan-tes, como seu instrumento. Em cada época, é preciso arrancar a tradição ao conformismo, que quer apoderar-se dela. Pois o Messias não vem apenas como salvador; ele vem também como o vencedor do Anticristo. O dom de despertar no pas-sado as centelhas da esperança é privilégio exclusivo do histo-riador convencido de que também os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer. E esse inimigo não tem cessado de vencer."

BENJAMIN, W. Sobre o conceito da História. In: Walter Benjamin - Obras escolhidas. Vol. 1. Magia e técnica, arte e política. Ensaios sobre literatura e história da cultura. Prefácio de Jeanne Marie Gagnebin. São Paulo: Brasiliense, 1987.

2 comments:

Tomaz Amorim said...

Pois o Messias não vem apenas como salvador; ele vem também como o vencedor do Anticristo.

Sydnei Melo said...

Eis o exemplo de que a nossa história é a história de todo o mundo.

Apropriemo-nos do passado para transformar o futuro. Com a necessidade dos atos e (pelo menos eu creio plenamente) a espera confiante do Messias.

Stella, a nossa crítica é profética.