Monday, February 01, 2010

amador (ou "As horas nuas")

as últimas horas da tarde. o céu rodando em tonalidades por minuto. ainda é claro, e a lua, suavemente, intensifica sua presença entre azuis e alaranjados. num instante o laranja ainda solar cede ao brilho imponente, ainda que delicado, da lua quse-cheia.
respiro, olho, me calo, tento calar em pensamento. quero fotografar detalhes, fazer jus à riqueza. opto por fotografar na alma-coração, mantenho os olhos abertos e silencio também na visão. então sou toda a tarde que cai, sou eu toda a noitinha que vem.
o céu agora é nuvens cinzentas, o céu é todo ele de um azul cinzento, e também o mar escurece. mas nenhum dos cinzas é de tristeza, melancolia ou aflição. tampouco são acoplados de menos intensidade; não. são as horas vivamente sutis. a exatidão do olhar cambaleia, os corpos se movimentos com cuidado, leveza e desapercebida destreza.
são as horas das solidões profundas, dos suspiros sem desalento, e até dos encontros: é a hora mestra do amálgama entre lucidez e embriaguez, numa cúmplice e acolhedora meia-luz.

ps: o título entre aspas é referência ao livro homônimo de lygia fagundes telles, cuja leitura eu recomendíssimo - e que, embora não tenha sido referência pra esse meu escrito, foi por ele a mim lembrado, em sentimento.

1 comment:

( the girl fucking Mia ) said...

Oi :)

Obrigada mesmo pelo comentário lá no blog!! Qual Dani te passou? Bem, de qualquer forma, que bom que você gostou!! A saga ainda continua por muuito tempo... hehe

Entro em muitos dos blogs de quem comenta lá, mas o seu é um dos poucos que eu realmente gostei! Vou tentar ler mais posts quando tiver um tempinho... Seu vocabulário é maravilhoso e eu adorei a forma como você escreve!

Um beijo!
;*